quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Cativar

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"( A. S. Exupéry)



Diz uma lenda ai que nossas mentes são separadas por uma fina camada de consciência. O reduto mais profundo e intocável entre os humanos. Separados, cabe a nós o eterno sentimento de vazio em nossas cabeças pelo não contato com o outro, separados, buscamos desesperadamente nos entender, nos relacionar, nos misturar, nos tornar um. Amor, Deus, segurança, felicidade, conceitos e mais conceitos criados para tentar preencher um pouco este abismo. O amor ao outro, a empatia e a vontade de nos relacionar, consequentemente, nos machucar.

 Aquilo que me cativa adentra na minha consciência, cria raízes, se estabelece. Transforma o meu ser, adentra no meu interior, no meu reduto, na minha alma. Lá, ele cria raízes, cria laços, me devora e me vomita. Sofrimento vai, alegria vem, todos temos um pouco de ouriços nas nossas personalidade. Afastamos o que nos machuca, o contato, o sofrimento.

Aquilo que me machuca eu não cativo. O que me fere na alma, o que rasga violentamente as raízes, o que me faz sangrar, cuspir sangue, chorar, isto eu não quero dentro de mim.  Quero distância, quero proteção. Não quero sofrer, não quero sangrar, portanto, quero evitar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário